SPD: a prova de que o comércio e a indústria são o enlace dos tempos modernos

2019-11-05T17:18:57+00:00 5 de Novembro , 2019|
SPD: a prova de que o comércio e a indústria são o enlace dos tempos modernos

Quatro homens sonharam e um negócio sólido nasceu. As tintas e as colas líquidas cimentaram uma empresa em que a alma tradicional nunca se apagou e a inovação tecnológica inflamou a eficácia.

Em 1953, quando a Sociedade Portuense de Drogas se instalou no mercado português, os químicos eram produto de sigilo selado e os técnicos andavam “com as fichas debaixo do braço”. “Tinham uma pasta e levavam-na para casa. Era um grande segredo, o seu know-how”, recorda o administrador Artur Fernando Mendes.

Foi de um sonho do seu pai, que ainda se encontra no ativo, e de três outros sócios, que surgiu a fórmula. Depois, foi só afinar quantidades e apurar os métodos à velocidade dos tempos. A SPD era uma matéria-prima que chegava com ímpeto e ganhava espaço próprio. “Já estivemos em vários locais, mas foi no Porto que tudo começou”, realça o engenheiro Artur Fernando Mendes.

De Santo Ildefonso à rua Padre António Vieira, onde, numa cave, se desenvolveu a parte mais industrial do negócio, até à zona de Ramalho Ortigão e onde se desenhou aquilo a que se pode chamar de uma “fábrica”, esta tem sido uma viagem com caminhos simples para chegar a destinos complexos. A direção, essa, tem sido ascendente e a fintar as forças de gravidade que desafiam a economia.

“Depois da área comercial, evoluímos para a parte industrial, talvez durante os anos 70”, relata o administrador. “As colas vêm em primeiro lugar, porque, naquela altura, nós estávamos mais focados nessa área, inclusivamente para aplicar ao calçado. Mas hoje verifica-se o contrário: estamos mais vocacionados para as tintas.” Recordar é viver a atmosfera das ruas, o carinho dos clientes habituais que, entre a padaria, a tabacaria e o jardim, passam pela drogaria para suprir necessidades domésticas. “Nós não queremos desligar-nos dos pequenos negócios, da drogaria, mas apostamos mais na indústria. As tintas em pó foram as responsáveis por isso”, explica o administrador.

Um enlace entre comércio e indústria que funciona a todo o vapor faz com que a SPD e a Facotil, empresa criada em 1986, não sejam engolidas pela máquina dos tempos modernos. “As pessoas que trabalham na indústria têm de estar disponíveis quase por 24 horas, há linhas de produção que não param e trabalham ao sábado e ao domingo”.

A Facotil, empresa autónoma e independente, que com a SPD partilha o espaço, a família de trabalhadores e um elo impossível de quebrar, trouxe um vigor de reabilitação ao empreendimento. “Na altura em que a Facotil começa a apostar nas tintas, a construção civil também começa a disparar. Nunca abandonámos a área de negócios das tintas de construção civil, porque foram elas que nos ajudaram a crescer, através do comércio, da chamada drogaria.” Hoje, a construção civil está “num momento de estagnação, mas investe-se muito na reabilitação”. “É na reabilitação que, atualmente, empresas como a Facotil trabalham”, conta Artur Fernando Mendes. A marca com que se pinta este percurso cúmplice dá nome ao sucesso: Triunfante. 

Para trás ficou a cor esfumada do incêndio “aparatoso” de 1975, no horizonte do futuro, colorem-se novas metas a conquistar. “Fazer uma sociedade em Angola era um sonho do meu pai. Estamos lá há 12 ou 13 anos. Vamos mantendo essa chama sem a apagar.”

Certificada e colada a valores de inovação e tradição, a SPD persiste com um sistema informático estabelecido há mais de 30 anos. “Estamos praticamente desde o início com a [empresa antecedente da] all@work. Quando algo se mantém é porque os resultados são bons e não precisamos de procurar outros parceiros”, garante Artur Fernando Mendes, que acrescenta: “Ao longo destes anos, que já são bastantes, tudo tem corrido da melhor forma. A assistência é boa e as pessoas colaboram muito.”

A informação para gerir a parte financeira da empresa, como vendas, margens, produtos e clientes, é também matéria-prima de uma fórmula química estável, o que leva o administrador da Sociedade Portuense de Drogas a rematar que “equipa que ganha não mexe”.