Uma cola que é selo de confiança e os pés firmes no chão

2019-02-06T11:49:05+00:00 6 de Fevereiro , 2019|

As instalações da Cipade, em São João Madeira, são grandes, mas quem lá trabalha sabe os cantos à casa. Numa fábrica bem engrenada, onde se processam múltiplas reações químicas, a all@work também tem sido um solvente dos erros.

O cheiro característico no ar acompanha o reboliço fabril e denuncia o armazenamento colossal de toneladas de solvente. Mas a preocupação pela segurança não se dilui em resíduos perigosos: manuseiam-se as matérias-primas como símbolos de orgulho inflamado. São exigentes as operações para o fabrico de colas brancas e de cola solvente, mas a Cipade, sediada em São João da Madeira, está bem calçada quanto às normas de produção.

As solas bem assentes nos sapatos, as palmilhas que acomodam os pés, a marroquinaria, que inclui cintos, carteiras, malas e porta-chaves, o mobiliário e os estofos são produtos finalizados com mestria há já 50 anos, com os produtos produzidos pela empresa que é um selo de confiança, bem colado para cada um dos seus destinatários.

O automatismo da fábrica exige a presença de um botão vermelho de emergência, raramente utilizado, apesar das caixas e caixas de materiais inflamáveis que ali se vão acumulando. São os computadores que controlam tudo, numa valsa sincronizada com o trabalho de mãos feito em laboratório de ensaios físicos. É também um gerador e uma estação de tratamento das águas – ETAR – incorporados que fazem as vezes de uma fábrica autossuficiente e bem preparada para as eventualidades.

Contudo, o laboratório de controlo de qualidade também analisa a relação sem prazo de validade com a all@work, a empresa de sistemas de informação que completa 10 anos, mas muitos mais de parceria com a empresa de São João da Madeira. “Vamos trabalhando a remar para o mesmo lado, de forma a facilitarmos a vida uma da outra”, reflete Carlos Caldas, administrador da Cipade. “A Cipade evoluiu com o contributo da all@work, com um conjunto de metodologias que foram sendo aplicadas e que hoje já estão devidamente implantadas”, reforça ainda.

A história da empresa sanjoanense remonta a 1978, ano em que a sociedade comercial, que tinha sido fundada em 1968, deixou de realizar unicamente a atividade comercial debaixo das formulações de uma empresa espanhola. A Cipade Lda. passaria, nessa altura, a produzir com autonomia e formulações próprias. No entanto, a empresa que se distingue pela inovação veio ainda a empreender novas mudanças e, em 1983, “com entrada e saída de sócios, passámos a ser, então, Cipade – Indústria e Investigação de Produtos Adesivos, SA”, explica Carlos Caldas.

O nome então escolhido explica-se entre rótulos de frascos de amostras, depois da realização de processos químicos e laboratoriais, como a secagem, a análise da viscosidade e a espetrofotometria: é que o avanço tecnológico e científico é também um dos reagentes da equação.  “O nosso nome inclui os termos indústria e investigação, porque não nos dedicamos apenas a vender produtos. Fazemos muitos desenvolvimentos”, acrescenta o administrador.

Pioneira na produção de um produto numa forma mais económica e de transporte mais facilitado, a Cipade dá passos firmes em direção à internacionalização: “Criámos um sistema único – não conheço mais nenhuma fábrica que o tenha -, em que vendemos os nossos produtos, sendo que estes podem ser liofilizados [estado de desidratação atingido através do congelamento sob vácuo]. Em vez de o cliente comprar a cola líquida, compra uma amálgama e, depois, usa o solvente para obter o produto final.” Vendas para países como Índia e a Síria são assim facilitadas. “Este sistema tem bastantes vantagens de produção: é mais barato do que o processo tradicional, já que o processo tradicional necessita de entre seis a sete horas, e o produto liofilizado é conseguido ao fim de apenas duas horas; o transporte é mais fácil e mais barato, sem a obrigatoriedade de acompanhamento do ADN do solvente; permite uma menor de capacidade de espaço para os clientes que recebem os produtos”, assevera Carlos Caldas, que garante também a assistência direta ao cliente.

Agora a Rússia faz também parte da rota de expansão que a empresa tem vindo a traçar, com 15% de exportação direta e 85% de exportação feita indiretamente. Trata-se de “parceria com uma pessoa muito interessada em montar uma fábrica de colas e em apostar no mercado russo”. “Fizemos com ele um contrato, arranjámos fornecedores para as máquinas, exportámos uma grande quantidade de matérias-primas. Iremos lá também, para prestarmos assistência técnica”, conta o empresário de São João da Madeira.

São novos tempos que auguram boas perspetivas de negócio, depois de já se terem estabelecido em Marrocos. Mas o mercado é exigente e as flutuações são constantes. As alterações dos fenómenos meteorológicos vieram ampliar dificuldades: “A indústria dos sapatos está a atravessar uma onda um pouco negativa, porque não há muito trabalho. O ano de 2018 foi de pouca produtividade e a indefinição de estações também tem contribuído. Quando devíamos estar a vender sapatos de inverno, as temperaturas ainda estavam altíssimas.”

A Cipade sabe, no entanto, o solo que pisa, e é mestra no despiste do erro. Por isso, faz a pesagem de uma relação de parceria com a all@work. “Pontualmente vão surgindo situações para as quais é preciso dar resposta, e a all@work tem estado à altura”, afirma Carlos Caldas, que se diz “um homem feliz”. Na balança, o que pesa mais “a assistência fora de horas”, até porque “um problema nos sistemas implica que fiquemos de mãos atadas, sem capacidade para fazer as entregas e todos os outros processos.” A relação simbiótica entre a all@work e a Cipade não tem prazo de validade e faz da empresa de São João da Madeira uma máquina bem oleada.